POLÍTICA, TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE
Publicado em 05 de outubro de 2018 Comentários

 

As eleições majoritárias e proporcionais de 2018 para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, mostram alguma evolução em termos de diminuir a poluição urbana. O processo político brasileiro, que muitos querem entender como avançado, na realidade, em relação às nações desenvolvidas, ainda deixa muito a desejar. Não resta dúvida que muito lentamente vem se aprimorando. Até a poucos anos atrás ainda se permitia os famosos showmícios que atraíam milhares de eleitores ao evento, mas não para um possível debate político de qualidade. As pessoas iam aos comícios para ver, cantar ou dançar, principalmente, ao som dos sertanejos.
Pior era a quantidade dos antigos outdoors, confeccionados ainda em papel (painéis de forma quadrada feitos em gráficas, e que eram justapostos até formar a figura, ou seja, o anúncio), muito aquém dos modernos outdoors digitais de hoje. Para fixar neles as propagandas dos candidatos, os funcionários das empresas retiravam os papéis (grossos) dos comerciais que estavam antes, quando era comum que o material descartado daqueles anúncios ficassem jogados ali pelo chão mesmo, bem abaixo da propaganda do político, aquele mesmo que mais tarde todo mundo iria ver na TV pregando educação e desenvolvimento. Os atuais outdoors de LED são um show de tecnologia e contribuem menos com a degradação do meio ambiente.

As lembranças da poluição visual em época de campanha política são de amargar o cidadão atual. Muitos daqueles que são adolescentes hoje não foram vítimas dessa pirotecnia. Um pouco antes dos outdoors de papel era pior ainda, os candidatos colavam suas propagandas eleitorais em postes de luz ou outros equipamentos como semáforos, suportes de câmaras, placas de trânsito, viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus, etc. Agora a legislação eleitoral proíbe que um candidato cole sua propaganda nesses equipamentos, sob pena de multa e outras penalidades previstas na legislação eleitoral. No entanto, aqueles que ao menos teórica e economicamente “podem”, pregam suas propagandas fora de época das eleições nesses equipamentos e tudo fica como está para ver como é que fica.

Mas o que ajudou muito a controlar a poluição visual e aquela quantidade absurda de papel jogada no chão – que ainda não acabou, e teima em permanecer, foi a tecnologia. As redes sociais se tornaram uma ferramenta indispensável para quem participa de uma campanha política. Mais dinâmicas, mais diretas, mais econômicas, etc. evitam bastante aquele derramamento de santinhos pelas ruas da cidade, contribuindo com a qualidade ecológica de vida. Como mudar um costume, principalmente político, não é fácil, ainda restam aquela contratação de moças e rapazes que se encontram desempregados, para ficar girando e sacudindo bandeirinhas em esquinas. É uma cena feia, parece coisa do passado. O lado bom é que, quem está precisando faturar um trocado, em função da alta taxa de desemprego, serve até de alívio. Por outro lado, essa situação perdura em função da interminável crise econômica que o país atravessa, às vezes fruto da irresponsabilidade, às vezes fruto do descaso do político brasileiro.

Dessa mistura de política, tecnologia e meio ambiente, o mais difícil é saber que quem financia todo esse gasto das milionárias campanhas são os impostos de todos os brasileiros do Fundo Partidário que é distribuído anualmente para os 39 partidos, perto de R$ 1 bilhão, e que fazem com esse montante de dinheiro o que bem entenderem, pois as prestações de contas são como uma ilha da fantasia. Pior ainda, foi a entrada em campo este ano do fundo de Financiamento da Democracia, que passou a distribuir a partir dessa eleição, cerca de R$ 1,5 bilhão para os políticos fazerem suas campanhas. É um desperdício de dinheiro público, são R$ 2,5 bilhão que deveriam ir para escolas, hospitais e estradas, o Brasil tem de repensar esse modelo perverso de fazer política, que oferece tantos privilégios para uma classe que parece estar de costas para o país.

Por Crisolino Filho
(Whatsapp: 9.8807.1877 – E.mail: crisffiadv@gmail.com)

 

...
...
...
...
...
Comente também.