A RÚSSIA E O BRASIL
Publicado em 31 de julho de 2018 Comentários

 

Na Rússia, afinal, deu França na Copa de 2018. Agora os franceses são bi campeões mundiais, se igualam aos outros dois únicos, argentinos e uruguaios, e ficam a três títulos do Brasil. Continuo avaliando que alguns jogadores brasileiros ainda vão para uma competição como essa, não pensando em defender uma nação, o valor fundamental de que representam uma potencia que não deve cair, que aquilo ali é como uma guerra, vale mais os símbolos que representam e a  bravura do que a taça em si. No entanto, os astros do esporte passam mais a sensação de fortalecimento de seus egos, de poder  namorar mulheres glamourosas em cima de lanchas milionárias, de ouvir ou dançar pagode. Quando a TV mostrava a seleção embarcando em ônibus rumo aos estádios, e um dos jogadores, hoje o mais caro do mundo, era sempre o último a sair do hotel, fazendo com que todos esperassem por sua chegada, já era o sinal de que não estavam fazendo a coisa certa.

É certo também que o futebol globalizou muito. Hoje a maioria dos atletas que disputou a Copa joga em campeonatos na Europa como o inglês, espanhol, italiano e alemão,  recebem em Euros,  falam várias línguas, e como moram no velho continente por muitos anos, adquirem uma segunda cultura, se distanciam das origens, e aqueles que vem dos países menos desenvolvidos assumem uma postura mais seletiva em função da estrutura de que vieram. Como no caso do Brasil, alguns originários de cidades com pouco saneamento básico, onde em algumas ruas o esgoto corre a céu aberto, onde baías são poluídas, as estradas ruins, educação de má qualidade, violência crescente, corrupção sistêmica, judiciário politizado, política judicializada, filas intermináveis e doentes tratados em corredores de hospitais.

Não poderia deixar de fazer uma comparação entre a Rússia e o Brasil. Já comentei anteriormente aqui nesse espaço que, apesar da diferença ser de apenas quatro anos, os estádios russos passaram uma imagem –  a perder de vista,  de que ficaram mais modernos e tecnológicos do que os que foram construídos para a Copa em 2014. As imagens feitas pelas TVs das cidades daquele país mostraram a grande capacidade quem eles têm de construir modernos centros comerciais, ao lado de uma natureza exuberante. Algumas com seus estádios à beira de lagos ou rios, que mais se parecem cidades canadenses, muito limpas, harmonicamente arborizadas, pessoas bem vestidas, conservação do patrimônio histórico irretocável, belos monumentos, enfim, sinaliza ser uma nação com alto grau de civilidade e desenvolvimento.

O grande detalhe dessa comparação são os números. Apesar de ser considerado um país emergente, e junto com o Brasil fazer parte dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e South África), e de já ter sido a outra superpotência que rivalizou com os Estados Unidos durante a guerra fria, hoje a  economia russa é menor do que a brasileira. A diferença é que a nossa desigualdade social é gritante, o que reflete no que se vê aqui, e no que se vê lá.

A Rússia tem uma área de 17 milhões de km2, o Brasil 8,5 milhões; a Rússia tem 145 milhões de habitantes, o  Brasil 205 milhões; o PIB nominal russo é de US$ 1,3 trilhões,  o brasileiro US$ 2,2 trilhões. O IDH da Rússia é de 0,804, o do Brasil 0,754. Ou seja,  em se tratando de Índice de Desenvolvimento Humano, eles estão bem melhores. Já no coeficiente GINI, que mede a desigualdade social, os russos estão com 42.3, enquanto o Brasil 51.3. Quer dizer, aqui é bem mais desigual.

 


 

Tem-se no Brasil de hoje a sensação de que vivemos num país onde o poder judiciário é parte do jogo político. Os contrários à Operação Lava Jato dizem que o juiz Sérgio Moro é parcial e simpático ao PSDB. O outro lado responde que os ministros Ricardo Lewandowski, que livrou a ex-presidente Dilma da inelegibilidade, e Dias Toffoli, que foi advogado do PT e assessor de José Dirceu,  também são parciais. É lamentável que o país esteja passando por isso. A Justiça não deve assim se manifestar e seres humanos não devem ser objeto dos jogos dos poderosos, porque dessa forma produz angústia. Independente da posição política ou social de um réu, a justiça deve ser uniforme, absolutamente apolítica, imparcial, ética, moral, histórica, exemplo de respeito e cidadania, não um princípio de anarquia. Denunciados nada probos são presos e soltos numa sequência e velocidade inusitadas. Existe uma percepção de que instâncias superiores estão produzindo insegurança jurídica. Com as referências que estão tendo das casas supremas, como poderão agir futuramente as instâncias originárias? Analisando as cortes e magistrados superiores do países mais civilizados, fico decepcionado com o nosso sistema.

 

Por Crisolino Filho
(Whatsapp: 9.8807.1877 – E.mail: crisffiadv@gmail.com)

 

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